Conflito no Oriente Médio

Irã confirma morte de Ali Larijani em ataque israelense e promete resposta "decisiva"

Chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional foi atingido junto com filho e assessores em bombardeio em Teerã; Guarda Revolucionária lança mísseis contra Tel Aviv em retaliação

 

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou nesta quarta-feira (18) a morte de seu secretário, Ali Larijani, em um ataque israelense ocorrido na terça-feira (17) em Teerã. A informação foi divulgada pela agência de notícias Tasnim e confirmada pela televisão estatal iraniana.

O órgão elogiou a longa trajetória de Larijani em prol do desenvolvimento do Irã e da Revolução Islâmica, afirmando que ele "finalmente alcançou sua aspiração de toda a vida, respondeu ao chamado divino e alcançou com honra a doce graça do martírio na trincheira do serviço".

Horas antes da confirmação iraniana, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia anunciado que as forças israelenses mataram Larijani em um bombardeio de precisão, classificando-o como "líder efetivo do regime iraniano" desde a morte do líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

A retaliação iraniana

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter lançado mísseis contra o centro do território israelense "em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e seus companheiros". De acordo com a agência Fars, os mísseis "atingiram com sucesso mais de 100 alvos militares e de segurança no coração dos territórios ocupados".

Uma das barragens atingiu a região metropolitana de Tel Aviv e deixou ao menos dois mortos, segundo serviços de emergência israelenses. As munições atingiram diferentes pontos do centro de Israel durante a madrugada, provocando destruição em áreas residenciais, incêndios e a suspensão temporária do sistema ferroviário após danos causados por estilhaços.

Autoridades israelenses afirmaram que um dos ataques envolveu munições de fragmentação, que se dispersam no ar e ampliam o raio de impacto.

A posição do novo líder supremo

Com base nas informações da agência Reuters, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas de redução de tensão transmitidas por países intermediários. Um alto funcionário iraniano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Mojtaba declarou em sua primeira reunião de política externa que "este não é o momento para a paz, até que os EUA e Israel sejam forçados a se curvar, admitir a derrota e pagar reparações".

O novo líder supremo, que sucedeu seu pai Ali Khamenei após o ataque de 28 de fevereiro, não apareceu publicamente desde então, e não há informações sobre como participou da reunião, se presencialmente ou à distância.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também reagiu à morte de Larijani. Em comunicado, afirmou que, apesar da perda "amarga", "a perseverança do povo e a conquista da vitória final tornarão a situação ainda mais amarga para os criminosos sionistas".

O funeral e as homenagens

Os funerais de Larijani e de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, também morto em ataques atribuídos a Israel, serão realizados nesta quarta-feira (18) no centro de Teerã, junto com as cerimônias pelos militares da fragata IRIS Dena, afundada pelos Estados Unidos em 4 de março ao largo da costa do Sri Lanka.

A Guarda Revolucionária descreveu Larijani como uma "figura distinta, pensador e político revolucionário", afirmando que o "sangue puro deste grande mártir, como outros queridos mártires, será uma fonte de honra, força e despertar nacional".

A morte do comandante da Basij

Além de Larijani, Israel confirmou a morte de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, uma força paramilitar de voluntários subordinada à Guarda Revolucionária com cerca de 450 mil membros. Segundo as Forças de Defesa de Israel, Soleimani liderava a unidade responsável por "operações de repressão" envolvendo prisões e uso de força contra manifestantes civis, e atuava como comandante havia cerca de seis anos.

Soleimani fez carreira no Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, onde subiu gradualmente na hierarquia após ter combatido como comandante de batalhão durante a guerra Irã-Iraque, e era considerado um nome da linha dura do regime, tendo sido alvo de sanções por parte de vários países ocidentais.

Os próximos passos do conflito

Analistas internacionais avaliam que a eliminação de Larijani representa uma mudança na estratégia israelense, que parece estar concentrando esforços em eliminar fisicamente a cúpula do regime iraniano. Trita Parsi, vice-executivo do Quincy Institute, afirmou à Al Jazeera que a ação "é uma tentativa de Israel de expandir a guerra, impedindo que os EUA a encerrem prematuramente".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, voltou a pedir um cessar-fogo imediato, alertando para o risco de o conflito se expandir para outros países da região. A comunidade internacional acompanha com preocupação a escalada que completa três semanas sem sinais de arrefecimento, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado e o preço do petróleo mantendo-se acima dos US$ 100 por barril.

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