Anvisa e conselhos de saúde fecham cerco contra venda irregular de “canetas emagrecedoras”

Acordo prevê criação de grupos de trabalho para reforçar a fiscalização e conter o mercado clandestino

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos federais de Medicina (CFM), Farmácia (CFF) e Odontologia (CFO) assinaram, nesta quinta-feira (16), uma carta de intenção para coibir irregularidades no comércio e no uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A medida busca frear o avanço de produtos falsificados e o uso indiscriminado desses fármacos para fins estéticos.

A parceria prevê atuação conjunta com troca de informações estratégicas e ações educativas. Segundo a Anvisa, o foco imediato é combater falhas na importação, manipulação, prescrição e dispensação desses medicamentos, originalmente indicados para o tratamento de diabetes e obesidade.

De acordo com a Agência Brasil, a Anvisa deve publicar, ainda nesta semana, portarias para criar dois grupos de trabalho: um voltado à governança e fiscalização das ações, e outro formado por representantes dos conselhos para aprofundar o debate técnico sobre os fármacos.

Apreensão e riscos à saúde

O acordo ocorre em meio a uma ofensiva contra o mercado ilegal. Recentemente, a agência proibiu e determinou a apreensão dos produtos Gluconex e Tirzedral, comercializados online sem registro sanitário. Paralelamente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou mil frascos de canetas contrabandeadas do Paraguai.

As autoridades alertam que o uso de produtos sem procedência ou sem acompanhamento médico pode causar danos severos à saúde. Em fevereiro, a Anvisa já havia emitido um alerta sobre o risco de pancreatite aguda, uma inflamação grave que pode ser fatal, associada ao uso inadequado dessas substâncias.

O avanço do mercado clandestino de emagrecedores injetáveis levou a uma articulação inédita entre a agência reguladora e entidades de classe da saúde. A iniciativa busca não apenas punir a venda ilegal, mas também responsabilizar prescrições inadequadas e orientar a população sobre os riscos do uso de medicamentos de alta complexidade sem o devido acompanhamento clínico.

 

Com informações da Agência Brasil

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