Eliminação na Libertadores

Botafogo perde para Barcelona-EQU no Nilton Santos e dá adeus à Libertadores ainda na fase preliminar

Gol relâmpago aos sete minutos definiu o jogo; time carioca agora disputará a Copa Sul-Americana.

 

A noite era de festa no Estádio Nilton Santos. Mais de 30 mil torcedores lotaram as arquibancadas, empunharam bandeiras e cantaram do início ao fim. Mas o desfecho, para o Botafogo, foi de frustração. O time carioca foi derrotado por 1 a 0 pelo Barcelona-EQU nesta terça-feira (10) e deu adeus à Copa Libertadores da América ainda na fase preliminar.

O gol da classificação equatoriana saiu aos sete minutos do primeiro tempo. Após cobrança de falta na intermediária, a defesa botafoguense afastou parcialmente. Rojas recebeu pela direita e cruzou na medida para Martínez escorar de cabeça. A bola sobrou limpa para o volante Céliz, que bateu de primeira no canto direito do goleiro Léo Linck. O arqueiro alvinegro pulou tarde e não conseguiu evitar o gol que silenciou o estádio.

O resultado, combinado ao empate por 1 a 1 no jogo de ida, no Equador, selou a eliminação botafoguense. Para avançar à fase de grupos, o time precisava vencer por qualquer placar. Com a derrota, o Botafogo disputará a Copa Sul-Americana.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Pressão inicial e gol relâmpago

O Botafogo começou a partida em ritmo intenso, como esperava a torcida. Nos primeiros minutos, a equipe comandada por Martín Anselmi conseguiu pressionar a saída de bola equatoriana e criou duas oportunidades com Vitinho. Era um começo promissor, mas que durou apenas sete minutos.

Na primeira descida consistente do Barcelona ao ataque, veio o gol. A partir dali, o jogo mudou de feição. O Barcelona passou a administrar o placar com excesso de tempo e simulação de faltas, comportamento que o árbitro chileno Piero Maza não coibiu com rigor. O Botafogo manteve a posse de bola, mas esbarrava na falta de criatividade para furar o bloqueio defensivo.

Aos 34 minutos do primeiro tempo, Anselmi promoveu a primeira mudança significativa. O volante Mateo Ponte, que vinha atuando na linha de três zagueiros, deixou o campo sob vaias após errar um passe. Em seu lugar, entrou o argentino Joaquín Correa, atacante com características de drible e aproximação.

A alteração, no entanto, não resolveu o problema mais evidente do time: a ausência de um centroavante de área. Com Matheus Martins atuando como referência isolada, uma função que não é natural para ele, o Botafogo chegou ao intervalo sem finalizações perigosas. Aos 42 minutos, o próprio Matheus Martins teve chance dentro da área, mas chutou em cima do goleiro Contreras. Foi o último lance de um primeiro tempo marcado por erros de passe e pouca inspiração.

Na volta do intervalo, Anselmi agiu. Sacou o zagueiro Bastos, recuou Newton para a defesa e lançou Arthur Cabral no ataque. O centroavante entrou com a missão de evitar a eliminação.

A pressão no segundo tempo

Com Arthur Cabral em campo, o Botafogo ganhou presença na área, mas perdeu em mobilidade. A equipe passou a cruzar bolas de todas as formas, muitas vezes contra uma linha defensiva equatoriana que chegou a ter seis jogadores fixados atrás da linha da bola.

Aos 27 minutos, Vitinho teve nova chance para lamentar. Após escanteio, Arthur Cabral escorou de cabeça na pequena área. Desequilibrado, o ala mandou por cima do gol. Aos 35 minutos, veio a oportunidade mais clara. Arthur Cabral subiu mais uma vez pelo alto e cabeceou colocado no canto esquerdo do goleiro Contreras. O arqueiro equatoriano, no entanto, fez defesa espetacular e evitou o empate.

Foi o último suspiro do Botafogo. Nos minutos finais, a equipe tentou pressionar, mas sem organização. A torcida, que apoiou incondicionalmente durante toda a partida, passou a reagir com murmúrios e, ao fim do jogo, vaiou os jogadores na saída do gramado.

Os números da eliminação

Com a queda, o Botafogo repete o destino de outros clubes brasileiros que ingressaram na fase preliminar da Libertadores. Na etapa anterior, o Bahia também foi eliminado e, diferentemente do Alvinegro, sequer garantiu vaga na Sul-Americana. Dos dois representantes do Brasil na pré-Libertadores, nenhum chegou à fase de grupos.

A eliminação tem impactos esportivos e financeiros. A participação na fase de grupos da Libertadores renderia ao Botafogo cerca de 3 milhões de dólares, aproximadamente 17 milhões de reais, apenas em cota fixa. Na Sul-Americana, o valor cai para 900 mil dólares, cerca de 5 milhões de reais. Além disso, o clube perde a chance de se expor em vitrine internacional contra adversários de maior expressão.

O Botafogo agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro e para a Copa Sul-Americana. Os adversários na fase de grupos do torneio continental serão definidos em sorteio marcado para o dia 19 de março, na sede da Conmebol, no Paraguai.

Antes disso, porém, o time tem um compromisso de curto prazo. No próximo sábado (14), o Botafogo enfrenta o Flamengo, no mesmo Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. O clássico, que já era aguardado, ganha contornos de teste de reação para uma equipe que vê a temporada começar sob pressão.

O técnico Martín Anselmi, que completa dez jogos no comando do time, terá dias intensos pela frente. A eliminação expõe fragilidades que já vinham sendo apontadas: a dependência de bolas aéreas, a falta de um finalizador nato e as recorrentes falhas individuais em momentos decisivos.

Do lado equatoriano, a noite foi de festa. O Barcelona-EQU garantiu vaga na fase de grupos da Libertadores e aguarda o sorteio para conhecer seus adversários. O time comandado interinamente por Jesús Farías, já que César Farías cumpriu suspensão à beira do campo, mostrou solidez defensiva e eficiência nos contra-ataques.

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