Relatório da RSF aponta caminhos para garantir um jornalismo ético no Brasil

Estudo projeta cenários para a próxima década e alerta para impactos da desinformação e dos algoritmos

 

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial (IA) e pela persistência da desinformação, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou um relatório que propõe estratégias para fortalecer o jornalismo brasileiro nos próximos dez anos. O documento foi apresentado no contexto das discussões do Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira (7).

O estudo apresenta quatro cenários possíveis para o futuro da imprensa no país, elaborados pelo Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Lab-GEOPI), da Unicamp. Os cenários se distinguem a partir de quatro possíveis configurações: o domínio das plataformas digitais, o fortalecimento do jornalismo, a alta fragmentação da informação e, no cenário mais crítico, o enfraquecimento ou até o fim da atividade jornalística.

A Repórteres Sem Fronteiras também propõe seis estratégias centrais para garantir a sustentabilidade do setor e a confiança do público:

  • difundir o método jornalístico;

  • enfrentar a desinformação;

  • fortalecer redes de cooperação entre organizações de jornalismo e universidades;

  • diversificar modelos de financiamento;

  • investir em educação midiática;

  • defender a regulação do jornalismo.


Foto:  Getty Images

“O futuro, provavelmente, vai ser muito mais uma mistura dos elementos dos diferentes cenários do que um cenário estanque”, afirmou Sérgio Lüdtke, coordenador de Projetos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor-chefe do Projeto Comprova.

A organização alerta que a crescente confusão entre notícia, opinião, publicidade e desinformação, agravada pela polarização política, compromete a qualidade da informação. Esse cenário é intensificado pelos algoritmos, que tendem a reforçar crenças individuais ao priorizar conteúdos personalizados.

Como resposta, o relatório defende que universidades atualizem seus métodos de formação para preparar profissionais capazes de lidar com a verificação de dados em tempo real, sem perder a essência humanística da profissão. 

O documento conclui que a integridade da informação até 2036 dependerá de um “pacto de confiança” entre jornalistas, sociedade e plataformas digitais, com transparência nos processos de apuração como elemento central no combate às fake news.

 

Com informações da Agência Brasil

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