Em desabafo marcado pela indignação e pelo luto, Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, e Maria do Carmo Santos, madrinha de Bruninho Samúdio, divulgaram uma carta aberta nesta terça-feira (17) cobrando a prisão imediata de Bruno Fernandes das Dores de Souza. O ex-goleiro, condenado pelo assassinato de Eliza, é considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro desde o início de março de 2026.
Na carta enviada ao g1, a família expressa revolta com o que classifica como "impunidade descarada". O documento destaca que, enquanto o mandado de prisão segue em aberto, Bruno teria sido visto circulando livremente e realizando viagens sem autorização judicial, incluindo uma ida ao Acre em fevereiro para atuar pelo Vasco-AC.
"Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada", ressaltam mãe e madrinha no documento.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Bruno é considerado foragido. A condição ocorre pelo descumprimento das regras estabelecidas pela Vara de Execuções Penais (VEP) para o seu livramento condicional. Diante das violações, a Justiça revogou o benefício e expediu um novo mandado de prisão contra ele.

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"O goleiro Bruno não se apresentou diante da revogação. A defesa do goleiro entrou com recurso e a VEP encaminhou para manifestação do MP. Enquanto, não houver outra decisão em relação à revogação do livramento condicional , o goleiro Bruno será considerado foragido."
Para a família de Eliza, o cenário reflete uma falha institucional: no texto divulgado, afirmam que o Estado tem sido ineficiente em garantir a justiça, transformando o luto da família em uma constante revolta diante da liberdade do condenado.
Por que Bruno é considerado foragido?
Após o TJRJ revogar a liberdade condicional e expedir um mandado de prisão para que ele retornasse ao regime semiaberto, o ex-jogador não se apresentou à justiça.
A decisão ocorreu depois de Bruno viajar, no início de fevereiro, para o Acre, onde assinou contrato para atuar profissionalmente pelo Vasco da Gama do Acre. A medida foi tomada no dia 5 de março pelo juiz Rafael Estrela Nóbrega, que acatou parcialmente a solicitação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Com isso, o magistrado entendeu que o goleiro se deslocou até o estado acreano e chegou a disputar uma partida da Copa do Brasil sem autorização judicial
