Como nascem os ídolos no futebol? Como começamos a criar esse vínculo afetivo tão grande com pessoas que nem conhecemos? Podemos entender um pouco mais dessa construção de ídolo através de algumas teorias de um dos maiores estudiosos da mitologia universal, Joseph Campbell, em a Jornada do Herói.
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Para Joseph Campbell, o herói é aquele que descobriu ou realizou alguma coisa além do nível normal de realizações, ou de experiências. O Herói é alguém que deu a vida por algo maior que ele mesmo.
De forma mais simples, dentro do cinema, a "Jornada do Herói" é uma das formas mais utilizadas para criar uma narrativa. Através dos filmes, que demonstram como uma pessoa qualquer sai de uma vida comum, ganha super poderes e começa a descobrir quais as suas capacidades e de que maneira isso impacta sua vida e a dos outros personagens à sua volta, nós começamos a torcer para esse personagem e ficamos com a expectativa do que ele é capaz de fazer.
Antes de se tornar herói, o personagem passar por diversas barreiras e testes, até conseguir chegar ao fim e se consagrar, retornando para o seu lar.
Será que esperamos que todos os nossos ídolos também sigam a "Jornada do Herói?
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Nós, amantes do futebol, ficamos tão envolvidos na carreira de um jogador que executa feitos, até então, surpreendentes, que começamos a acompanhar a sua carreira, sua trajetória e ficamos presos em um sentimento de idolatria, ficamos totalmente ligados na vida desse jogador, analisamos suas decisões, e às vezes, nos decepcionamos quando o mesmo toma um caminho inesperado.
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Messi e a Jornada do Herói
Não tem maneira melhor de entender o pensando de Campbell do que ver a jornada do herói em sua forma real. Assim como nos cinemas, se algum roteirista escreveu a história de Lionel Messi, certamente seguiu os passos da narrativa de Campbell.
Para ser campeão do Mundo em 2022, Messi sofreu, desistiu, voltou, despencou e ressurgiu, cumprindo toda a “Jornada do Herói”, consagrando o seu auge no Qatar.
Depois de crescer na Espanha, onde se formou como jogador na base do Barcelona, Messi era desejado pela seleção local, mas sempre escolheu defender as cores albiceleste. Por vezes parecia que o camisa 10 não poderia superar recorde incríveis, porém, Messi provou não ligar muito para o impossível.
Cada vez mais gênio no Barcelona, Lionel Messi não conseguia despertar a paixão que tinha na Catalunha, mas conseguiu chegar um pouco melhor com a sua seleção entre 2010 e 2014, quando chegou a Copa no Brasil com uma equipe competitiva ao seu redor.
Leo, acompanhado de Mascherano e Di Maria, levou o time albiceleste até a decisão da Copa diante da Alemanha. Mas após jogar melhor e criar mais chances na grande decisão, os argentinos não conseguiram mais uma vez. Lionel foi eleito o melhor jogador da competição, mas a dor era evidente!
A Argentina estava na seca desde 1992 e toda a responsabilidade era colocada nas costas de Messi, que no momento era símbolo de uma geração que acumulava fracassos.
Em 2016, os argentinos e chilenos se encontraram novamente em uma final da Copa América, dessa vez disputada nos Estados Unidos. Um ano antes, os argentinos tiverem a chance de quebrar o jejum, mas desperdiçaram suas oportunidades nos pênaltis após o empate em 0 a 0.
Mais um jogo truncado, mais um empate em 0 a 0 e mais uma decisão nos pênaltis. Assim como em 2015, Messi bateu o primeiro pênalti dos argentinos, mas dessa vez não foi feliz. O camisa 10 acabou isolando a bola. Os chilenos foram mais eficientes, converteram quatro cobranças, contra apenas dois de Los Hermanos, e ficaram com o título. Mais um vice para Messi e a Argentina.
Após a derrota, Leo desistiu. Extremamente abalado, o herdeiro da camisa 10 de Maradona estava deixando a Argentina.
Já são quatro finais que perdi, três seguidas. É uma lástima, mas tem que ser assim, não dá. É difícil, muito duro de analisar. O pensamento no vestiário é que já deu, a seleção acabou para mim. Lamentavelmente, eu tentei, era o que eu mais desejava. Não deu para mim, creio que já acabou.
Afirmou o camisa 10
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Disposto, Messi voltou a vestir a camisa albiceleste e, em um momento delicado, em que a seleção argentina teve três técnicos diferentes, foi ao mundial da Rússia com a expectativa de finalmente desencantar. Porém, em uma campanha ruim na Russia, a Argentina caiu ainda nas oitavas de final, sendo goleada pela França.
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ete bolas de ouro, quatro Champions League, seis chuteiras de ouro e diversas outras marcas importantes pareciam insuficientes para Leo, mas ainda faltava a tão sonhada Taça do Mundo. 28 anos de seca de títulos pela Seleção, que chegou ao fim após a conquista da Copa América contra o maior rival no Maracanã. A fila acabou!
QUE MIRAS BOBO?
A última oportunidade de conquistar o mundo tornou ainda mais inevitável as comparações com Maradona, mas o seu jeito tímido e mais calma sempre o diferenciou de Diego.
Porém, em 2022, a versão "Maradoniana" de Leo surgiu. Puxado pelos cantos dos Hermanos, que ecoavam o seu nome junto ao de Maradona nas arquibancadas e nas ruas de todo o Qatar, Messi incorporou a figura Argentina ainda mais.
Depois de bater a até então atual campeã do Mundo, França, recebendo o prêmio de melhor da competição, Messi finalmente tocou e beijou a taça. 17 anos e cinco Copas depois de sua estreia, o sonho enfim se realizou. Messi finalmente conquistou o mundo, confirmando ainda mais a sua vaga nas cadeiras mais importantes do Monte Olimpo do futebol. Sua Jornada do Herói está completa, mesmo que sua carreira ainda não tenha terminado.
